sábado, 6 de outubro de 2012

Um sonho...

Estavas ansioso e isso via-se, sentia-se, notava-se...
Eu também estava, afinal a primeira vez é sempre mais intensa por ser isso mesmo, a primeira vez...

Em ti vivia um medo terrível de não chegar para as expectativas, em mim uma ansiedade do toque, do sabor, do desejo... Pediste-me para apagar a luz e eu estranhei, por não estar habituada a tal pedido, mas acedi. Aconchegamo-nos um ao outro dentro dos lençóis e os corpos até então desconhecidos, encontraram-se, sentiram-se, mimaram-se. Demos asas ao desejo, sentindo cada toque, cada beijo, cada sensação, como se fosse única... afinal não serão mesmo únicas cada uma das sensações que temos? Únicas no momento, na intensidade, no desejo de as sentir?
O momento prolongou-se pelo infinito, deixando-nos saciados, entregues a nós mesmos, sentindo que o prazer físico preenchia todos os vazios, desconfortos, desilusões e desamores que sentimos bem dentro de nós. O mundo desapareceu, continuando lá, e por umas horas entregamo-nos ao sonho... Á leveza e magia de um sonho que apenas pode ser isso mesmo, um sonho, uma fantasia, um desejo que apenas surge no escuro da noite, onde os nossos profundos desejos, dão vida ao corpo. Abraçados adormecemos, juntos, embriagados pelas hormonas da felicidade efémera que nos corria nas veias. O sono foi leve, mas reconfortante e lembro-me que de cada vez que tu te mexias, eu automaticamente e sem acordar totalmente, fazia-te festas nas costas, gesto instintivo  como se a dizer que o sonho ainda não tinha terminado e eu estava ali, contigo, abraçada a ti, a viver e a sentir uma calma imensa de quem sabe apreciar os pequenos mas deliciosos momentos que a vida nos deixa saborear por vezes...
A luz do dia chegou. A noite e o sonho terminou... E tão intenso como surgiu, intensamente se desvaneceu.
Ficou o momento gravado na memoria e no coração, naquele lugar especial onde apenas residem os momentos carregados de significado...
Tenho alguns, todos eles com significados diferentes, mas igualmente importantes para mim.
Ficou também o sonho, que duvido voltar a ver á luz do dia, mas mesmo assim, continuando a ser um belo sonho.
Porque afinal a vida é mesmo assim, povoada de sonhos...
Que nos fazem avançar, mesmo que seja apenas por breves, mas intensamente vividos, momentos, que no fim deixam um sorriso na cara e uma sensação que a vida tem o dom de nos dar sempre um pouco mais do que esperamos...

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